Capítulo 1 – A morte não tem cura!
Após 56 anos do
fim da 3° Guerra Mundial, que ficou conhecida pelas explosões nucleares criadas
envolvendo as maiores potencias do mundo, começou uma nova era de escravidão,
os países perdedores da guerra e todos os seus seguidores caíram, perderam
quase tudo, a única coisa que restou foi a terra onde habitavam. Uma lei foi
criada pela ONU, onde dizia que os países vencedores da guerra poderiam ficar
com todas as riquezas que aquela terra produzira e ter a mão de obra das
pessoas que habitavam o lugar, em troca, dariam uma moradia e refeição. Os
vencedores também obtinham o direito de colocar uma pessoa para governar a
terra. Após a guerra, em um lugar que já fora conhecido como Brasil, começa
nossa história.
Roger era um homem que vivia como escravo no
país de Fraterny, governado pela Inglaterra, o país exportava café, carvão,
cana de açúcar e obtinha minas de petróleo. Roger trabalhava em uma mina de
carvão, ele saia e entrava de dentro de grandes escavações puxando quilos do
material valioso com os seus braços fortes para fora do buraco, depois aquele
carvão passava por uma fábrica de refinaria e por fim era enviado para a
Inglaterra, onde ocorria a venda para outros países.
O lugar onde Roger trabalhava era um grande
terreno de terra, na capital do país, várias máquinas de escavação rodeavam o
lugar, várias pessoas entravam dentro de buracos gigantes, sendo sustentados
somente por uma corda comum e levando um saco de fibra nas mãos, quando enchiam
o saco, apertavam forte a corda e eram puxados para fora por máquinas e levavam
o saco ao caminhão.
Logo após terminar o turno de trabalho duro,
Roger se dirigiu até o “seu” quarto, que era um grande vagão de ferro vermelho
e preto em forma de cilindro com o chão achatado, por dentro havia vários
colchões e algumas beliches, que eram utilizados pelas pessoas, como todos
tinham somente cinco horas de descanso diárias, ele se deitou e dormiu
rapidamente, sonhou o de sempre. Roger estava com seu pai e sua mãe em um vagão
antigo, ainda era jovem, olhava seu irmão menor em um colchão no chão, lendo,
seu pai levantou da cama e olhou o menor com orgulho, depois virou com seu
rosto velho e sujo para Roger que estava em cima da beliche.
– Acabou o descanso. – Logo após a fala de seu
pai, Roger acordou.
Ele estava todo suado, se levantou da cama e
olhou para o relógio, ele ainda tinha mais uma hora para dormir, mas tinha
várias coisas para fazer, levantou da cama e foi andando até o fim da cabine, onde
havia o banheiro, quando chegou lá se olhou no espelho que estava rachado e com
um pedaço da borda faltando, estava como sempre, cabelos cortados no estilo
militar e loiros como areia, olhos caramelo, com barba um pouco grande e as
roupas de sempre, camisa cinza claro, calça de camuflagem verde escura, botas
pretas e um pingente que dizia seu nome, Roger Creed.
Roger saiu do vagão dormitório e foi andando
até o hospital que ficava à algumas quadras, ele passou por vários escombros e
lixos antigos jogados no chão, a cidade tinha vários prédios e casas altas para
não serem poluídas pelo lixo que ocupava parte das ruas, mesmo sendo a capital,
a parte mais rica do país, o lugar era bem sujo, Roger foi desviando de cada
coisa estranha que aparecia em sua frente, ele aprendeu da pior maneira a não
mexer no lixo, – quando era pequeno ele encostou a mão em uma lata de alumínio
jogada no chão e de repente seu corpo parecia queimar, quando sua mãe percebeu
que ele fora intoxicado de alguma maneira pelo lixo no chão, o levou até o
hospital central e conseguiram um médico rapidamente e com muito cuidado curá-lo
–.
Quando chegou ao hospital, foi logo procurar o
quarto que conseguiu para sua mãe, o lugar tinha vários pacientes doentes e
muito poucos médicos para tratá-los. Subiu pelas escadas alguns andares e logo
que entrou na sala branca e cheia de cortinas separando uma cama da outra, viu
a mãe no pior estado possível, ele sabia que ela não tinha muito tempo de vida,
andou até ela e sentou-se seu lado, ela estava com os cabelos brancos, com a
pele pálida e toda enrugada, seu rosto mostrava já ter sido bonito, ele passou
o dedo na testa dela, uma lágrima escorreu do rosto de Roger.
– Não fique assim, meu filho. – Disse a mãe
dele.
– Como eu faço isso com você desse jeito? – Respondeu
Roger segurando as mãos da mãe e tentando conter as lágrimas.
– Eu não sei – respondeu ela. – Filho, eu sei
que eu não vou passar de hoje, meu coração está parando de bater, eu sinto, eu
vivi muito, dei a educação necessária a você e seu irmão, deixe-me juntar ao seu
pai, eu estou me segurando há tanto tempo, só precisava te dizer isto.
– Mãe, por favor, fique.
Durante toda a conversa Roger e sua mãe se
olhavam nos olhos com tristeza a mostra em ambos os rostos. Com o desenrolar da
conversa, a mãe de Roger o olhou bem nos centro dos olhos e abriu a boca para
dizer suas últimas palavras.
– Diga ao seu irmão que amo vocês dois, do
fundo do meu coração. – Foi então, depois de dizer suas últimas palavras, que
ela fechou os olhos e deixou seu filho com seus braços debruçados em seu corpo,
chorando e repetindo em sussurros uma frase pequena e profunda, “Eu também te
amo”.
1.2
A torre presidencial ficava na capital do
país, ela era cercada por várias metros de cercas elétricas de alta voltagem e
muitos guardas, era grande e totalmente branca por fora e prata por dentro, no
topo existia um globo dourado representando o planeta todo, naquele dia estava
acontecendo um conselho presidencial para apresentar novas ideias para
conseguir dinheiro ao país, muitos tipos de idéias já haviam sido apresentadas,
a sala do conselho era um lugar todo
prata com portas grandes e pretas dos dois lados, a mesa também prata era
retangular e longa, havia cadeiras dos dois lado da mesa e no final a cadeira
principal com o presidente. Estava quase na vez de Robert, o irmão mais novo de
Roger apresentar seu projeto. Robert tinha cabelos castanhos claros, rosto mais
fino que do seu irmão, a cor dos olhos era de um azul escuro e usava terno
marrom claro e óculos, ele conseguiu estudar com livros da biblioteca que
existia no parque central da capital, agora destruído, chegando até o conselho
presidencial, ele era o 14° homem na mesa e o penúltimo a fazer a apresentação,
estava ele olhando para o presidente e com medo de se engasgar com a própria
ansiedade, quando a vez dele chegou.
Ele se levantou da cadeira e ficou cara a cara
com o Presidente, o velho Cong, um homem com quase 70 anos de idade, a cara era
enrugada, nariz redondo como uma batata, cabelos brancos e seus olhos castanhos
o deixava com cara de “Não mexa comigo, ou mandarei um dos meus guardas o
matar”, Robert pegou suas pastas e começou a apresentar sua ideia.
– Olá, bem, meu nome é Robert Credd e tenho 21
anos, – Ficou pensando por alguns segundo – minha ideia é bem simples, eu
pesquisei muito e descobri que a alguns anos atrás, antes da guerra nuclear ocorrer
existia uma coisa chamada, ”Reality Show”, se trata de pessoas que eram
vigiadas por câmeras, ou pessoas que concorriam a algum prêmio, tendo assim que
passar por provas ou algo do tipo. – Com nervosismo ele tentou olhar para o
presidente em busca de alguma reação.
– Prossiga rapaz. – Disse Cong, com os olhos
ainda firmados em Robert e em seu discurso.
– Então eu pensei, por que não fazemos um tipo
de “Reality Show” e vendemos para outros países, – a ideia fazia muito sentido
para Robert – um programa de televisão, eles pagam para nós e em troca vamos
dar a eles algo para se entreterem.
– Boa ideia garoto, vou anotar e pensar melhor,
próximo.
O presidente olhou para todos e apontou o dedo
para um rapaz de óculos redondos, cabelos pretos, os olhos eram verdes e o rosto
fino, seu corpo era magro demais e suas mãos tremiam.
– Faça a sua apresentação e seja o mais breve
possível, por favor. – Exclamou o presidente Cong o olhando diretamente nos
olhos.
– Bom, meu nome é Victor Rasmy – começou a
dizer o rapaz –, e eu tenho uma coisa magnífica para mostrar a vocês.
Victor então correu a mão para sua maleta
marrom escura e tirou dela um laptop preto, logo depois retirou uma mão feita
de ferro, a mão era cheia de parafusos e em algumas partes ela brilhava azul
como neon, pura tecnologia.
– Isso é uma prótese que eu criei – disse
Victor segurando a mesma com sua mão esquerda e com os dedos da sua mão direita
digitava algo em seu computador –, bem, pensem vocês que esse computador é o
cérebro humano, agora eu pego esse fio, conecto a ponta número 1 na prótese e
depois conecto a ponta número 2 no laptop.
Depois de conectar o fio nas entradas
destinadas ele olha para o presidente com os olhos semi cerrados, como se procurasse
um esboço de interesse.
– Bom, agora eu somente deixo o meu, “cérebro”
falso fazer seu trabalho.
Então, logo que Victor solta a prótese da mão
sobre a mesa branca e clica no botão “Enter” em seu computador, a prótese
começa a se movimentar, e segura até uma caneta perto de Robert. Vendo que
todos da sala, incluindo o presidente, estavam surpreendidos ele explica qual é
o objetivo da prótese mecânica.
– Bem, essa é uma prótese bio mecânica, ela
pode substituir qualquer parte do corpo, sendo que ela é muito real, eu a criei
para usá-la nas pessoas que trabalham para o governo que estão impossibilitadas
de fazer o serviço por não terem mais membros do corpo que as possibilitavam de
fazer o serviço designado a elas, pernas e braços são exemplos de membros que
poderíamos trocar pela prótese.
– Incrível – Disse o presidente Cong com um
sorriso grande no rosto –, vá ao meu escritório daqui 30 minutos, quero
conversar melhor sobre este projeto. Isso pode render muito dinheiro, o conselho
está encerrado.
Ao dizer isso, a cadeira de Cong se desprendeu
do chão e ficou presa à um cabo que se soltou do teto, junto a uma passagem
circular que se abriu, e puxou o presidente até o andar de cima, então todos da
sala se levantaram de suas cadeiras, arrumaram as pastas e saíram pela porta
principal, sobrando somente na sala Victor e Robert, os dois apertaram as mãos
e saíram por portas de lados diferentes da sala, um indo pela porta principal esperar
para ver o presidente e o outro indo pela porta secundária para ir ver a mãe e
depois seu irmão mais velho.
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